segunda-feira, 6 de abril de 2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O Aquecimento Global Sobre um Ponto de Vista Humanístico.

Partindo de um contexto analítico em relação ao problema do aquecimento global e a maneira como tal assunto vem sendo tratado perante a sociedade mundial, encontramos uma série de dados sistematicamente coletados, analisados e amplamente discutidos pelos mais variados grupos e organizações existentes. Porém, a questão que se segue é justamente o motivo para o debate deste assunto, as propagandas que são atualmente divulgadas pela mídia e órgãos de imprensa governamentais ou privados, tratam o assunto através de um cunho naturalista, onde a preocupação fundamental torna-se entender o problema da forma mais exata possível, para então, divulgar tais dados alarmantes obtidos de forma generalizada.

Pouco tem sido feito em relação aos estudos de como os meios para a contenção do problema do aquecimento global, já definidos e amplamente divulgados, possam ser colocados em prática nos mais diversos tipos de sociedades humanas organizadas. Muito além das características científicas e políticas para a contenção deste problema, torna-se necessário uma análise profundamente humana, pois sem a consideração de fatores psicológicos e humanos, provavelmente pouco poderá ser feito no intuito de que pessoas já condicionadas a determinado consumo exploratório renunciem a curto prazo o conforto de suas vidas em favor de benefícios a longo prazo.

É necessário agora que tais convicções científicas deixem de ser friamente tratadas como questões de aplicação de organização e capital, e comecem a ser consideradas como questões que envolvam uma urgente análise de aplicação que considere em primeiro lugar os métodos de aceitação humana, psicológica e moral. O maior entrave que pode ser previamente definido em relação à consideração dessas novas concepções, talvez seja a utilização de métodos de persuasão para que as pessoas possam aceitar tais idéias, e dessa maneira, promover a preservação de uma consciência que utilize métodos democráticos de persuasão e educação ao invés da pura coerção totalitária.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A especialização excessiva e a insuficiência autodidata.

Ao abordarmos o tema educação sob uma ampla concepção, podemos encontrar diversas ramificações sobre esse mesmo título, porém o assunto que desejo aqui abordar, trata-se especificamente da especialização na educação. Em meio a uma sociedade que essencialmente vive agora da divisão do trabalho, onde as atividades são executadas metodicamente através de sistemas especializados, a mão-de-obra humana também necessita ser especializada.

Possuímos em nossos grandes centros acadêmicos, carreiras e cursos que cada vez mais deixam de ser fontes de conhecimento amplo a cerca do saber, para se tornarem sistemas de especialização e aprimoramento intelectual ou até mesmo manual. Não são poucos os cursos de exatas que assumem linhas cada vez mais específicas, como as engenharias, cada vez mais subdivididas e organizadas em áreas profundamente centralizadas. Também não são poucos os seres humanos que se dedicam atualmente às atividades especificas, os centros de ensino além de específicos, se tornaram de mais fácil acesso, uma vez que o próprio mercado neo-liberalista e consumista faz necessário a aplicação da mão-de-obra especializada em suas atividades.

Sem dúvida, um dos maiores problemas ocasionados pela especialização do conhecimento é a sugestividade, a maioria das ciências específicas não permitem aos seus estudantes desenvolver criticamente um problema ou postulado, os conceitos são quase leis que devem ser aceitas de forma inquestionável. Tal passividade educacional promove o adestramento sugestivo de enorme massa estudantil, cada vez mais treinada para absorver determinadas habilidades especializadas. Devido à aplicação do conhecimento sugestivo, outra importante fonte do conhecimento é exterminada: O autodidatismo.

O autodidatismo ou autoconhecimento é importante pois é sem dúvida a maneira mais eficaz de absorção de conhecimento. Tal noção, concebida pelos mais diversos mestres á milênios, refere-se ao fato de que qualquer mente humana é capaz de se desenvolver inconsiderávelmente mais através do estudo individual orientado do que através do ensino sugestivo. Ao contrário do que se é difundido atualmente, o autodidatismo não é uma habilidade limitada a um pequeno grupo de indivíduos intelectualmente auto-suficientes, todo ser humano é capaz de desenvolver certo nível de capacidade de pesquisa e conhecimento através de si mesmo. Talvez, faça-se necessário, na maioria dos casos, a orientação para o autodidatismo, porém, fato é que, como método de aprendizagem, ele é á milênios reconhecido como superior a qualquer outro existente.

Contudo, em meio ao processo da especialização, vemos um claro sistema de regresso do conhecimento humano por parte da especialização excessiva, o homem, um ser polivalente, criado para indagar sobre as mais diversas questões naturais, como realizado nas academias de Platão, é agora treinado para desenvolver atividades ultra-limitadas, que vêem a ser confundidas como superiores, pelo nível de avanço na especialização a qual estão submetidas. Temos agora, no comércio, uma extensa gama de especializações, subdivididas em categorias como propaganda, administração de negócios, transporte (logística), entre outras, inúmeros são os caminhos e as possibilidades de especialização humana dentro do novo mercado do saber.

Atividades do saber humano, como as ciências sociais, as letras ou a filosofia, tornam-se cada vez menos relevantes no mundo contemporâneo, não são mais as questões humanas resolvidas pela filosofia, tão pouco os problemas sociais estudados pelas ciências sociais, todas essas questões são agora administradas pelos próprios sistemas de propaganda criados pela atual especialização mundial. Um grande entrave para o homem em discutir a eminente questão ambiental é justamente a falta de capacidade de articulação por falta do desenvolvimento do saber humano dentro da sociedade, uma vez influenciado pela sugestividade e a propaganda desse sistema específico, é praticamente impossível ao ser humano argumentar de forma que possa questionar e apontar soluções eficazes para os problemas de cunho humano. Tudo aquilo que foge a especificidade acaba sendo problemático para a maioria da sociedade humana atual.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Horário Nobre Nacional

A busca pelos motivos que levam à grande maioria da massa populacional brasileira a passividade diária de acompanhar a programação novelística no dito "horário nobre nacional" provavelmente carece de um contexto analítico que vai muito além do assunto que aqui está em questão, porém no intuito de assumir um caráter breve para esta análise, o texto aqui presente se limitará a desmistificar apenas o provável ponto que interfere diretamente neste contexto.

É fato que todo ser humano, mesmo com a esmagadora maioria de seu individualismo e expressionismo consumido pela sugestividade e funcionalidade específica que é brutalmente exercida pelo atual sistema social, ainda necessita do mínimo de arte e dramaturgia para que possa assim, resgatar seus sentidos humanos diariamente renunciados pelo cotidiano insensível e metódico, assim como nos é exemplificado por Aldous L. Huxley em seu clássico romance Brave New World, a dramaturgia presente nas novelas atuais nos oferece sensações semelhantes ao cinema sensível dos Alfas e Betas, oferecidos nos finais do expediente para a manutenção do equilíbrio humano essencial. Esse fato nos leva a crer que, caso os impulsos naturais humanos não fossem estimulados, seu sistema biológico provavelmente entraria em colapso nervoso pela falta de atividade.

Contudo, observamos ainda que todo esse sistema de tele-novelas é utilizado pela mídia neoliberalista como eficaz ferramenta para alimentar a necessidade humana natural de arte e expressionismo, e dessa maneira evitar que a arte, fruto do sentimentalismo e da razão individual, se dimensione em um órgão de autoconsciência capaz de questionar criticamente acerca da ordem vigente.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Higiene de Linguagem

Em minha pessoal opinião, todo indivíduo deveria despender tanta importância ao correto emprego da linguagem, quanto à higiene pessoal.

Não quero parecer radical, porém, fato é que não são poucos os horrores lingüísticos que presenciamos, ocorrendo desde os nossos postos de trabalho até os meios acadêmicos, chega a ser espantoso observar a total falta de coerência quanto ao correto emprego da língua portuguesa entre formandos-bacharelados das mais diversas faculdades existentes.

As causas, talvez sejam demasiadas explícitas para que despendamos certa quantidade de tempo em suas particularidades, porém, acredito que é nosso dever denunciá-las.

Caridade Natalina

Mais uma vez nos encontramos nas proximidades da comemoração festiva mais importante de nossa civilização ocidental, e o assunto que eu gostaria de enfatizar este ano, refere-se à caridade. Motivados por nossos preceitos religiosos, o "calor humano" novamente aquece nossos corações através do natal.

Confesso que o que me motivou a escrever esse texto, foi o fato de que um dia desses, estava eu a noite, aguardando um ônibus dentro do terminal, no centro de Diadema, quando um garoto, de cerca de dez anos mendigava a todos que estavam na fila, alguns trocados, uma mulher a minha frente, expondo toda a sua religiosidade para um rapaz que estava ao seu lado, de uma das maneiras mais fervorosas e ascéticas que eu já vi, recolheu alguns trocados em sua bolsa e com um olhar contemplativo e piedoso disse ao garoto, sorrindo-lhe: "Deus lhe abençoe".

E eu, que tentava me concentrar em um livro sobre "gêneros literários brasileiros" não pude deixar de ser consumido por aquela situação, minha mente começou a me importunar com uma série de questionamentos a respeito daquela cena. Na época natalina, ao menos no mundo ocidental, a caridade é sem dúvida alguma ampliada em altos níveis: Propagandas televisivas, cenários comoventes, toda a mídia se transforma em um mundo de compaixão direcionada a todos aqueles que são economicamente desafortunados. Todo esse sistema nos compele a consumir presentes, e a destinados a nós mesmos como também para todos aqueles que amamos fraternamente, e também, em realizar algumas "obras de caridade" para aqueles que são desafortunados.

Seja por imposição da mídia consumista, através da decoração dos belos shoppings nos centros das cidades, com figuras carismáticas como ursos polares ou papais noéis enevoados, ou pela religiosidade que nos aquece nos cultos religiosos que normalmente participamos quando sobra-nos tempo aos finais de semana, o fato é que fazemos o possível para satisfazermos nossos próprios corações com o sentimento de "dever cumprido" ou o saudoso "eu fiz a minha parte", nessas situações. A tarefa de "se ajudar a quem precisa", tornou-se ao menos nessa época, uma deliciosa forma de amenizar todo o mal para qual consciente ou inconscientemente, sabemos que somos terrivelmente capazes de contribuir durante o ano todo.

Quase consegui sentir a felicidade daquela mulher em poder "ajudar" aquele pobre garoto, de sentir um nível de competência, motivada pela sua plenitude religiosa, fazendo com que ela se tornasse, ao menos naquele momento, parte de um grupo diferente, já não mais pertencia ao grupo de trabalhadores proletários, geradores de bens de consumo não-descartáveis, ativos contribuintes da poluição e da busca por recursos econômicos a qualquer custo, explorados pela burguesia, porém conscientes protagonistas, não! De maneira alguma pertencia ela a mais um grupo de serviçais da manufatura que pelo consumo e pelo conforto desequilibram a natureza essencial, não! Agora ela era parte de um grupo seleto, um grupo complacente, que se comove e luta para amenizar as desigualdades sociais existentes, que é capaz de produzir um sorriso no rosto de uma criança marginalizada, ela encontrou agora uma atitude que é capaz de apagar todo aquele "outro lado obscuro", e que nos traz toda aquela maravilhosa sensação de sentir o incomparável: "eu sou diferente" ou "eu sou especial".

Pouco nós pensamos em relação às atitudes que cometemos, no mundo que realmente nos cerca, pouco indagamos a respeito do que realmente é certo ou errado, ou indo até mais profundamente, pouco ponderamos até mesmo acerca do que é real, do que é realidade, e normalmente, aceitamos de bom grado tudo aquilo que nos é apresentado por postulados, filosofias ou pessoas que confiamos, e raramente temos a coragem para colocar qualquer moral já embasada e fundamentada em questionamento.

Enquanto quão pequena for a nossa coragem de desmistificar tudo aquilo quanto nos é apresentado, pouco poderemos nós realizar em favor de uma real e significativa melhora para o mundo ao qual vivemos.

Dessa maneira, desejo a todos vocês um "feliz natal"! com boas e "caridosas e coplacentes" festas!

Para um "aliviado de culpas" e próspero (mais do que nunca economicamente) ano novo!

Global Write-a-thon (International Amnesty) - Severe human rights violations.

O texto abaixo faz referência ao explicito desrespeito aos direitos humanos no Brasil, através do domínio da sugestividade das massas, através do controle da educação, informação e valores culturais, por um sistema neoliberalista e escravista. Para que o texto possa ser discutido, primeiro faz-se necessário que observemos os três primeiros artigos presentes na declaração Internacional dos Direitos Humanos, destacados abaixo:
Artigo I: Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo II: Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Artigo III: Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Crime contra os direitos humanos:

Seriam necessários olhos externos para que o assunto que aqui desejo levantar fosse corretamente observado e dissecado. Seriam necessárias visões talvez distantes dessa época, pois provavelmente todos por aqui já tiveram seus pontos de vistas comprometidos. Certamente eu não sou a pessoa mais preparada para abordar o assunto que desejo tratar, mas mesmo assim, sinto-me na obrigação de fazê-lo. Ao mundo do qual eu tomo ciência, que compartilho com outros demais 190 milhões de brasileiros, tenho uma observação a expor.

Não sei até que ponto o sistema político e econômico conhecido como neoliberalismo influenciado na situação a qual chegamos, mas de certo são suas motivações que continuam a mover as engrenagens desse novo sistema. É passado o mundo das frentes políticas adversas dos embates entre as correntes de pensamentos acerca de um governo ideal, mesmo que favorecendo determinada parcela social. Não é oculto que o movimento esquerdista que presenciamos é agora simplesmente figurativo, pois o que vemos é na realidade um complexo sistema unilateral e implacável, a mídia de extrema direita é uma inteligível ramificação de entidades comunicativas que variam desde os tradicionais jornais, as mais complexas formas de difusão de idéias, através dos sofisticados novos sistemas de informação.

Vemos dessa maneira, um sistema de divulgação em massa que apenas expõe as idealizações e as aspirações ocultas deste vigente sistema neo-burguês que reprime os mais diversos valores sociais, não só nacionalistas, mas acima de tudo, humanos. A história, um valor que foi constantemente reivindicado por uma juventude idealista reprimida durante os tempos da chamada ditadura militar, é agora totalmente esquecida por toda essa nova juventude, que segue não mais como camponeses convertidos em proletários com uma ideologia e um pensamento individual, mas sim como novos vassalos, que agora são comprados através de bens de consumo ultra-valorizados pela própria mídia pactuante com este novo regime: carros, celulares, etiquetas diversão industrializada e o marketing abusivo são exemplos de algumas das futilidades oferecidas ao novo rebanho de homens-escravos de uma humanidade que jamais conseguiu se organizar em sociedade sem escravizar seus próprios semelhantes.

Estes seres, novos vassalos, são agora educados em escolas que reprimem o pensamento, em que as aulas de arte se resumem na formação de exímios copistas, e de que nada tem haver com incentivo a criação ou a liberdade de expressão humana. Nada se aprende acerca da filosofia, um lugar onde toda e qualquer demonstração de individualismo é completamente ignorada ou incompreendida. Somente a coletividade e os valores coletivos são exaltados nas escolas públicas brasileiras atuais, valores pré-fabricados e difundidos como novas cartilhas de ensino, a história é agora petrificada, e pouco esforço se faz para que seja compreendida, onde esse valor, sem discussão e análise, torna-se apenas história morta.

Alheio da formação de um pensamento individual está à grande massa social brasileira, durante 24 horas diárias está sujeita à massiva e consumista propaganda do sistema que impede qualquer desejo de criação ou posse que já não esteja amplamente difundido e aceito perante esta sociedade.

Vivemos o alvorecer de uma nova era nos tempos atuais, um mundo que, a pesar de não ter abolido o sistema aristocrata/escravista vigente desde o inicio da civilização, exibe novos traços aliados a monopolização das novas ferramentas denominadas tecnologia e informação, um mundo de seres semi-irracionais, que sobrevivem sem o mínimo de consciência social, individual ou histórica, seres que vivem a margem de uma realidade sintética, administrada por uma nova aristocracia de alto escalão burguês que escraviza não somente estes neo-vassalos, mas também aqueles outros burgueses menos favorecidos, que não possuem força intelectual para se manter em um nível superior a toda essa corrente onda de dominação.

Assim segue o imenso rebanho de novos homens, com toda a vitalidade de uma motivação provocada pelo culto de valores simbólicos e materiais, de um imenso emaranhado de deveres e condutas informais que inconscientemente devem ser seguidos, cultivados e adorados.